RESPEITO e ÉTICA

INGREDIENTES DE UM FUTURO MAIS HUMANO

O psicólogo Howard GARDNER aponta-nos, a partir de sua pesquisa atual nos Projetos Zero GoodWork (Harvard Institute), a necessidade de desenvolvermos cinco tipos de mentes indispensáveis para construção de um mundo com mais efetividade de resultados e relacionamentos:

  • A Mente DISCIPLINADA, que domina as principais escolas de pensamento e pelo menos uma habilidade profissional.
  • A Mente SINTETIZADORA, que integra idéias de diferentes disciplinas ou esferas em um todo coerente, transmitindo esta integração a outras pessoas.
  • A Mente CRIADORA, que revela e resolve novos problemas, questões e fenômenos.
  • A Mente RESPEITOSA, que tem consciência e compreensão das diferenças entre os seres humanos.
  • A Mente ÉTICA, que busca cumprir as responsabilidades como trabalhador e cidadão.

A maior necessidade para o mundo futuro é o desenvolvimento de habilidades capazes de lidar com o imprevisto, com o que não se poder prever. Os seres humanos, possivelmente, nunca haviam sido exigidos com tanta intensidade em relação às incertezas do futuro, pois as mudanças culturais e de tecnologia fluíam de maneira mais lenta em tempos passados. Atualmente, a velocidade das mudanças nos coloca frente a frente, cada vez mais, com o grande medo que o futuro é capaz de mobilizar: a incerteza, o não controle.

GARDNER propõe um desafio, destacando as habilidades de RESPEITO e ÉTICA como os pontos chave deste desenvolvimento humano diferenciado, apontando para um futuro onde sejamos capazes de pensar mais no We (nós) do que no My (meu). Ou seja, a coletividade será cada vez mais necessária, visto que todos estamos incluídos, queiramos ou não, nesta maravilhosa aldeia global.

Aqui destaco uma frase de Mário Sérgio CORTELLA, um filósofo brasileiro muito envolvido com as questões educacionais. Afirma este autor que “a decisão em um dilema é sempre individual, mas suas conseqüências podem afetar muitas outras pessoas” (CORTELLA, M. 2008, pág.125). Este pensamento referenda a ética como uma questão que deveria permear toda e qualquer relação entre as pessoas, pois se preciso tomar uma decisão acertada para minha vida, ela não vai, necessariamente, significar que eu deva escolher sempre o que é bom para mim, pois muitas vezes isto pode significar o mal-estar ou o malefício a outros.

Para ilustrar cito o exemplo de uma pessoa que precisa decidir-se por uma vaga de emprego que, necessariamente, vai lhe trazer o afastamento de um cargo o qual ocupa há algum tempo. A nova função ofertada pode lhe soar, primeiramente, como uma grande oportunidade de mudança, de respirar “novos ares” ou, até, de conviver com novos colegas. Porém, a empresa onde está lhe oferece há algum tempo as condições necessárias para crescer, o ambiente adequado para sentir-se valorizada e uma remuneração bem razoável em termos salariais. Além de tudo isto, esta pessoa terá de fazer um número maior de horas em sua carga semanal, deixando de lado projetos pessoais e a vida de família, o que pode lhe custar bem caro, mas até é aceitável dentro da visão de aceitar novos desafios. E a empresa a qual hoje ela serve pode enfrentar problemas por ficar sem a sua participação.

Pois bem, esta é uma situação em que o dilema da pessoa que gostaria de aceitar a vaga pode produzir mal estar para outras que com ela convivem. A mudança poderia ser vista como algo significativo e motivador, mas ela traria outros problemas a ela mesma e às pessoas com quem se sente compromissada. O resultado desta pequena história é que a pessoa em questão não aderiu à nova vaga, ao desafio de mudança. Ela levou em conta alguns aspectos importantes de compromisso com o outro, além, é claro, de visualizar que onde está também pode enriquecer seus desafios e metas pessoais.

Será que este relato pode soar como uma utopia? Ou como um exemplo simplista entre tantos outros que poderiam ilustrar a questão da ética? Não, apenas foi utilizado por fazer parte de realidades como a de tantos outros profissionais e para deixar bem claro que enfrentamos, sim, dilemas éticos em situações do dia a dia, da vida cotidiana. Estamos tantas vezes preocupados em analisar a ética na política ou em casos jornalísticos importantes. Mas, será que paramos para visualizar o que ocorre todos os dias ao nosso lado ou em relação a nossas atitudes? Visualize exemplos de sua vida, da hora que acorda à que dorme, das pessoas com quem conviveu no dia… e tire suas conclusões. Sempre é tempo de rever certos comportamentos e aprender com erros e acertos. Use o que de bom já fez para modificar as coisas que ainda lhe perturbam a consciência!

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