APRENDEMOS COM AS CRIANÇAS

APRENDA A OLHAR O MUNDO PELA ÓTICA DA INFÂNCIA

Há alguns dias assisti a uma das Campanhas Publicitárias do Jornal Zero Hora (Porto Alegre/RS). Sem querer ser portadora de nenhuma mensagem comercial, o que antes me motiva a descrever a reflexão que fiz é o fio condutor utilizado pela mensagem implícita no vídeo. Algumas imagens estavam gravadas ali, propostas como motor das inúmeras possibilidades de leitura: simples e belas, singelas e profundas, diretas e infinitamente complexas… tudo ao mesmo tempo. E elas faziam pensar assim que surgiam na tela, pois estavam associadas a um convite do narrador para que se fizessem tais associações, o que surpreendia, pois cada palavra estava estampada na imagem exibida.

Naquele momento, mobilizou-me a idéia do quanto é rico perceber imagens de maneira diferente, por outros ângulos de visão ou mesmo por entre plantas, pelo fundo de um vidro, em meio ao ambiente liquido de uma piscina ou do alto de um avião. Nossa! Se você gosta de fotografia ou de pinturas, possivelmente saiba que registrar ou pintar imagens sob pontos de vista diferenciados nos rende cenas muito variadas e capazes de fazer nossa imaginação e nossa emoção pulsar de maneira intensa. Imaginem ver isti estampado num simples comercial de 1 minuto? E o que logo todas estas associações me fizeram corresponder às idéias que defendo, entre tantas, de que as crianças podem ser poderosas em sua forma de conceber o mundo e registrar suas experiências. Acredito que esta forma de experimentar as coisas é que lhes garante a aprendizagem de qualidade. Se forem tolhidas nesta qualidade de ação, então seu conhecimento fica limitado.

Pois, para minha surpresa, o mesmo jornal noticiou em suas páginas de sábado (08/05/10) a forma como tal peça publicitária foi construída. E então eu me encantei mais ainda! E minha justificativa de tal encantamento foi o fato de adultos, criativos, cheios de energia de pensamento, recorrerem a crianças, em suas mais puras forma de expressão e espontaneidade, para construir um pequeno vídeo que mobiliza pensamentos e sensações. Incrível! E ao mesmo tempo tão verdadeiro. Que bom existirem pessoas que valorizem as virtudes da infância.

O que gostaria de destacar é que pensar o mundo com olhos de criança não é apenas uma questão de tentar ser mais sensível ou poético. É realmente perceber as coisas de um outro ângulo, esquecendo um pouco que a solução dos problemas deva estar sempre pela mais racional solução que a tecnologia ou as teorias lógicas possam nos trazer. É preciso reconhecer os caminhos pelas vias mais espontâneas, pela leitura da realidade de forma mais significativa, não tão idealizada. E acredito que nisto o adulto é capaz de se mostrar mais humano, pois se for criativo, se for sensível, com certeza será mais verdadeiro e resolverá suas questões –  de mundo, de relacionamento, de fome, de vida financeira, de realização pessoal… seja o que for – com muito mais amplitude de visão.

Olhar as coisas de outra forma pressupõe decidir pelas soluções de problemas com muita simplicidade e, ao mesmo tempo, com muita profundidade. Uma criança é capaz de dizer que gostaria de ser “lixeiro”, porque este “corre atrás de um caminhão e isto deve ser bem difícil”… Olhe quanta presença de valor numa resposta como esta, pois o que talvez mais importe é o quanto a atividade é difícil, já que se torna um desafio e não um juízo de valor pelo status da missão que ela possa representar aos olhos adultos. Este é apenas um, entre tantos exemplos que vez por outra escuto de crianças e de adultos que com elas trabalham, as quais representam, possivelmente, uma lição para nossas vidas adultas.

Para mim o veículo de comunicação citado acertou em cheio em sua peça publicitária, mas foi mais feliz e profundo em sua mensagem implícita, pois a vida de um jornal, por exemplo, deve estar ligada a possibilidade de oferecer às pessoas o algo mais que o dia a dia talvez não deixe muito claro. E a forma de passar a notícia, de informar detalhes ou dicas, ou de despertar curiosidades, todas são maneiras interessantes de nos prender a coisas que nem imaginamos em nosso mundinho pessoal no cotidiano de nossa vida.

Corremos tanto, olhamos para o relógio, para a rua, para o ônibus que passa, para o sinal que abre, para o telefone que toca…. Mas, onde fica a percepção de coisas reais que estão à nossa volta? O mundo que cai diante de uma crise financeira, o avião que mata mais de 200 ao mergulhar no mar, nossa vizinha que atravessa a rua e é atropelada? Vemos que em nossa empresa alguém pode estar desanimado, um colega pode ter perdido alguém importante, o cliente talvez tenha sido rude porque hoje ficou sabendo de sua doença? Enxergamos quando alguém faz algo belo, como um cartão ou uma redação perfeita de um texto para seu trabalho? Percebemos que mais um colega chegou na Equipe e o pensamos no que poderemos fazer para que se sinta bem?

Bem, se pedirmos emprestada às crianças a capacidade de “abrir os olhos”, possivelmente poderemos nos tornar adultos que enxergam, não apenas olham. Veja o vídeo, tire suas conclusões e, se quiser, me dê sua opinião!

 

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