CARPE DIEM

Acredito que muitos lembram do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, em que o personagem de Robin Willians era um professor que usava muito esta expressão: “Aproveite o Dia!”. Dedicava-se a ensinar seus alunos a descobrirem a verdadeira beleza de criar poesia sem atentar a regras tão metódicas como o cálculo da métrica na rima de versos, entre outras coisas que a Escola insiste em manter no plano do pensamento linear.

Hoje li um capítulo do livro “A Arte de Educar Crianças”, de Ron Clark (Editora Sextante, 1975). O autor é um professor americano que narra suas experiências em sala de aula através de algumas “regras”, criadas por ele, as quais acredita serem valiosas na educação de crianças em geral. O referido trecho começa com esta expressão como título, ou seja, caracteriza-se por uma das “regras” que o professor recomenda usar com educandos e que entende ter valor pelo simples fato de promover a atitude de “viver de forma plena”.

Ora, como sempre gosto de afirmar, nada é por acaso e, certamente, minha percepção deve-se ao fato de que tenho me questionado sobre a forma como venho “aproveitando o dia”… e como vejo outras pessoas também o fazê-lo. Digo isto, e penso sobre isto, porque nosso cotidiano tem nos roubado maravilhosas oportunidades de olhar ao lado, enxergar a flor que cresce entre canteiros, ou a pessoa que caminha a sua frente ou, ainda, sentir o aroma doce de uma padaria que produz suas “obras” ao final de um dia e ao nascer de outro. Confesso que pouco tempo tenho encontrado para enxergar e sentir estas coisas, mas quando me dou conta disto acabo imaginando que perco oportunidades dedesenvolvimento pessoal com isto.

Mas, o que tudo isto tem a ver com a questão das mudanças de atitudes ou modificações de visão sobre a vida, seja ela pessoal ou corporativa, a que este blog se propõe através de seus textos?

A partir do que tenho acompanhado em mim e nas pessoas a quem atendo, tudo a ver!

Prestar atenção aos detalhes tem a ver com estar concectado com possibilidades reais. Do contrário, entregamos nosso olhar e nosso cérebro a uma louca seleção daquilo que é mais automático e aquilo que precisa ser captado e é novo aos nossos olhos. E, convenhamos, em um mundo como o que vivemos “novo” é tudo aquilo que vem logo a seguir do virar a esquina. Exagero? Não, com os avanços de nossa tecnologia, podemos olhar para apenas dois anos atrás e verificar que processadores de computadores ou celulares que antes nos custavam muito caro, por terem tecnologia avançada, mas inacessível, hoje estão ao alcance de nossas mãos de forma tão ampla quanto ir ao hipermercado e verificar que tenho mais de dez tipos de pasta de dentes para escolher. Nossa! Se há cinco ou seis anos celular era um luxo, notebook era um sonho e mp3 um produto importado e caro, hoje, ano 2009, temos a possibilidade de verificar um novo lançamento a cada semestre e aquilo que nos parecia impossível torna-se capaz de estar em nossas mãos pela simples bagatela de R$ xxxx ou por um facilitado parcelamento de 20x o valor que conseguimos suportar….

Sim. E se todas estas facilidades nos mostram novidades que já não nos trazem motivação à descoberta do novo, pois ele é mais comum do que aquilo que já não reconhecemos por ser “antigo”, então, como profissionais ou pessoas que convivem com família e amigos somos exigidos a sermos os “melhores” e os mais “completos”, para que possamos atuar de forma excelente e carregada de qualidade. Qualidade? E a de vida? Existe ou é apenas algo que inclui uma hora de ginástica quatro vezes por semana e o consumo de meia dúzia de produtos naturais que nos garantem a manutenção da “vida saudável”?

Posso estar sendo pessimista demais, porém, pensar em “carpe diem” é urgente se queremos manter a sanidade de nossas mentes e interiores, pois ninguém sobrevive muito tempo nesta louca corrida se não tiver um tempo para dedicar-se a olhar seu interior, parar para respirar e admirar coisas que há algum tempo atrás tinham muito mais valor do que o toque de um celular ou a tela widescreen de um lap top de última geração!

Pense em tudo isto! Talvez resgatar a capacidade de perceber estas coisas traga um diferencial maior para qualidade de seu trabalho e de sua vida!